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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Soltura de Albatroz-de-nariz-amarelo

No dia 12 de junho do ano corrente, um albatroz-de-nariz-amarelo foi encontrado por pescadores na praia de Mundaú, município de Trairi, no estado do Ceará. O animal apresentava-se apático e com dificuldades de voar, sendo mantido em residência de uma colaboradora da localidade até o conhecimento da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace). 

A ave foi resgatada e encaminhada para o Centro de Reabilitação de Fauna Marinha do Projeto Cetáceos da Costa Branca – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PCCB-UERN), localizado em Areia Branca, no Rio Grande do Norte, para ser submetido a tratamento veterinário especializado e ser devolvido à natureza.

Assim que a ave marinha deu entrada ao Centro de Reabilitação (PCCB-UERN) deu-se início a uma detalhada e minuciosa avaliação física e investigação clínica do animal, a fim de determinar as causas que motivaram a debilidade de saúde e limitação do voo. Após exame verificou-se que o albatroz-de-nariz-amarelo tinha todas as penas de uma das asas cortadas, propositalmente, responsável pela incapacidade de voo e vulnerabilidade clínica. A espécie em questão tem total dependência das penas, seja para auxiliar na termorregulação ou para desenvolver seus comportamentos instintivos com excelência. O albatroz-de-nariz-amarelo é capaz de mergulhar até um metro de profundidade para obter seus alimentos (lulas, peixes e alguns crustáceos), que também podem ser capturados através de voos rente à superfície no mar. Entretanto, para isso, é essencial a integridade total de suas penas, além de satisfatória condição clínica e física. Por essa razão, além de todo protocolo terapêutico veterinário instituído, a equipe técnica do Projeto Cetáceos da Costa Branca teve cuidados e preocupação em restabelecer a condição das penas do animal. Foi necessário a realização do procedimento conhecido como (feather imping) ou implante de penas, técnica muito pouco difundida no Brasil e raramente relatadas em aves marinhas. Para ser possível a execução da atividade, diversos gansos domésticos foram selecionados e utilizados como doadores de penas, sendo as penas escolhidas uma a uma para que todos os requisitos desejados e necessários fossem criteriosamente cumpridos, quanto à forma e tamanho, por exemplo.

Após a implantação das penas, recondicionamento físico e restabelecimento clínico, o albatroz-de-nariz-amarelo pode ser devolvido e solto à natureza.

Segundo o médico veterinário Augusto Bôaviagem, coordenador do centro de reabilitação, todos os esforços para garantir a reabilitação e posterior soltura de animais marinhos à natureza são necessários, principalmente quando a espécie se encontra como vulnerável à extinção.

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