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O avanço do Ramal do Apodi é, sem dúvida, uma boa notícia. Sair de cerca de 10% em 2022 para mais de 93% em 2026 coloca a obra na reta final e reacende uma esperança antiga: levar segurança hídrica ao Alto Oeste potiguar, uma das regiões mais vulneráveis do estado.

Mas como todo projeto  estrutrural no Nordesta vem sempre acompanhada do apelo politico,  governo e oposição disputam a paternidade da obra. 

A narrativa oficial reforça que o salto aconteceu a partir de 2023, destacando a atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da governadora Fátima Bezerra. Ao mesmo tempo, contrapõe esse avanço ao ritmo mais lento registrado até 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro.

O Ramal do Apodi faz parte de um projeto maior, estruturado há décadas, que atravessa diferentes gestões, prioridades orçamentárias e momentos políticos. Há, sim, mérito na retomada e aceleração recente,  especialmente na execução do túnel, etapa complexa e decisiva. Mas também é fato que a obra não nasceu agora, nem começou do zero em 2023.

Para quem vive no semiárido, pouco importa quem “leva o crédito”. O que importa é quando a água chega, e se chega com regularidade, qualidade e gestão eficiente. Porque a história do Nordeste é marcada por obras prometidas, inauguradas e, muitas vezes, subutilizadas.

Outro ponto que merece atenção é o pós-obra. Concluir o ramal é apenas parte do desafio. A distribuição, a manutenção e a governança do uso da água serão determinantes para que o investimento se traduza, de fato, em desenvolvimento.

Sem isso, o risco é repetir um padrão conhecido: grandes anúncios, grandes números… e impacto aquém do esperado.

O Ramal do Apodi avança — e isso é inegável.

Mas mais importante do que discutir quem acelerou a obra é garantir que ela cumpra sua função.

Porque, no fim, obra pronta não mata sede.

Água chegando, sim.

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