segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O jantar de Temer no domingo em Brasília

Por Kiko Nogueira


Eram cerca de 500 convidados no Palácio do Alvorada. Os deputados foram com seus “familiares”.

O cardápio incluiu carne com risoto de funghi, salmão, salada e massa. Mais o vinho — em torno de 80 reais a garrafa, segundo um ex-funcionário do cerimonial.

Dois economistas, José Márcio Camargo, da PUC-RJ, e Armando Castellar, da FGV-RJ, fizeram exposições com power point.

A boca livre teve selfie com Marcela Temer e discurso do marido. “Todos nós precisamos revelar que nós temos responsabilidade, porque todos nós estamos cortando na carne”, disse ele, enquanto os apaniguados metiam a faca no peixe.

Os parlamentares estavam “dando o exemplo” de estar em Brasília num domingo à noite, “algo que geralmente não costuma ocorrer”, apontou. Como se aquilo fosse algum sacrifício cívico e não uma mordomia a mais.

No dia seguinte, Temer viria com uma chantagem explícita. Em entrevista à rádio Estadão, ameaçou com aumento de impostos se a proposta não passasse. “Nós estamos fazendo tudo, você percebe, para não falar em recriar a CPMF”, afirmou.

Ao final da festança, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, arrematou: “O Judiciário brasileiro tem a absoluta noção da responsabilidade histórica desse momento que vivemos”.

Embora o Brasil já tenha virado uma piada, esse bando será sempre capaz de nos surpreender.

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