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Novo espaço já conta com mais de 1.200 livros e é dedicado à formação política e democratização do saber

Um local onde o conhecimento é de livre acesso e dedicado à democratização do saber. A Casa Socialista, espaço voltado à formação política e à promoção da cultura popular, no bairro de Ponta Negra, inaugurou, neste sábado (25), sua primeira Biblioteca Popular, que recebeu o nome da potiguar, Brasília Carlos Ferreira, importante socióloga, historiadora, escritora e professora da UFRN, com uma extensa carreira dedicada ao mundo do trabalho e aos movimentos sociais. A governadora Fátima Bezerra participou da solenidade e disse que o momento representava não apenas a inauguração de uma biblioteca, mas um espaço de valorização da cultura, de formação e da celebração de uma vida.

"Falar de Brasília Carlos é falar de uma amizade muito profunda, construída na luta da esperança e do sonho compartilhado em construir um Brasil mais justo. É também falar de uma mulher que fez do seu conhecimento um compromisso com o seu povo e com a transformação da sociedade", afirmou a governadora. A chefe do executivo estadual também destacou a trajetória política da homenageada, seu senso de humanidade, justiça social e generosidade.

Reunindo obras de diversas áreas como literatura brasileira, livros do ensino médio e títulos voltados à formação política e ao pensamento marxista, o espaço já nasce robusto. Atualmente, cerca de 1.200 obras compõem o acervo da biblioteca. Todo o material serve ao Cursinho Djalma Maranhão, que funciona, aos sábados nas dependências da Casa e que já conta com 50 alunos. 

O espaço, preliminarmente, não abrirá todos os dias. Somente quando houver eventos na Casa Socialista.  Para saber quando, basta acompanhar a página da Casa no Instagram. Contudo, nos dias em que estiver aberta, a biblioteca tem acesso livre para qualquer pessoa que queira a conhecer. As obras podem ser emprestadas pelo período de 30 dias, sendo possível renovar o empréstimo por igual período, caso necessário. Diversos títulos do acervo pessoal de Brasília Carlos, além do  livro autoral  "Sindicato do Garrancho", relançado em 2025, também compõem o acervo. 

Uma das coordenadoras da Casa, Ticiane Perdigão, contou que a ideia de abrir uma biblioteca surgiu de forma natural. "A casa nasceu com o objetivo de fazer formação política, cultural, social e a biblioteca veio como uma ideia muito orgânica dentro desses objetivos da casa. A gente tá colocando esse sonho em prática", contou.

Sobre a homenagem à Brasília Carlos, a coordenadora explicou que a Casa Socialista e a professora da UFRN tem muito em comum. "Ela tem muita relação com o campo das ideias que a gente defende: da classe trabalhadora, através do sindicalismo, do operariado e por toda a dimensão dela dentro do campo das ciências sociais, da formação dos estudantes da UFRN e de todo o legado que ela produziu". 

A contadora, Lígia Limeira, estava visivelmente emocionada com a homenagem à irmã. "Que coisa maravilhosa! Nada é mais profundo e mais bonito do que uma homenagem em vida! Que coisa linda". Ela também agradeceu a presença dos amigos da irmã que, segundo relatou, Brasília Carlos considerava serem sua verdadeira família. 

A integrante do Comitê Norte-riograndense de Bibliotecários, Poliana Soares, destacou a importância de Brasília Carlos para os movimentos sociais potigures. "É uma emoção, especialmente aqui, nesta Casa,  poder homenagear esta grande mulher do ponto de vista social, educacional e político também", afirmou.

Outro integrante do Comitê, Marcos Victor, explicou que apesar do extenso acervo, a biblioteca ainda está aceitando novas doações. "A pessoa pode entrar no Instagram da casa e marcar um horário com a gente para entregar".  Ele explica que qualquer obra é aceita, porém, a  preferência são livros sobre literatura, ciências políticas e sociais, filosofia, psicologia, temas que de alguma forma dialoguem com a temática do Enem e da formação política cidadã, que é o objetivo da biblioteca.

SÃO JULHÃO
Como parte da programação de inauguração da biblioteca, também foi realizado um São Julhão, que contou com a apresentação de um de trio de sanfoneiros e um DJ.

A CASA SOCIALISTA
Inaugurada em julho de 2024, o espaço já realizou diversas atividades culturais gratuitas, buscando fortalecer e valorizar a cultura popular e os mestres da Vila de Ponta Negra. No espaço também funciona o Cursinho Popular Djalma Maranhão, integrante da Rede Nacional de Cursinhos Populares do Governo Federal, oferecendo suporte educacional a estudantes do ensino médio e candidatos ao Enem.
É organizada pela Articulação de Esquerda (RN) e tem se consolidado como um espaço de encontro, formação, cultura e fortalecimento das iniciativas populares em Natal.

BRASILIA CARLOS FERREIRA
Nascida em 6 de abril de 1951, em Serra de São Bento (RN), graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1975 e, em 1978, ingressou como docente no Departamento de Ciências Sociais da instituição, onde desenvolveu toda a sua carreira acadêmica até a aposentadoria, em 2014.

Também exerceu assessoria parlamentar no Senado Federal entre 2003 e 2011, oferecendo suporte técnico em temas relacionados ao trabalho, direitos sociais e políticas públicas.

Ao longo de sua carreira, Brasília consolidou-se como uma das principais pesquisadoras do Rio Grande do Norte na área de Sociologia do Trabalho, unindo rigor acadêmico, produção científica e compromisso com a defesa dos direitos dos trabalhadores e da cidadania.

Sua atuação como professora, pesquisadora, orientadora e militante deixou uma contribuição significativa para a formação de pesquisadores e para os estudos sobre o mundo do trabalho no Brasil.

Também participaram da solenidade a secretaria da Sethas, Iris Oliveira, a chefe do gabinete civil, Virgínia Ferreira, o diretor-técnico do Sebrae, João Hélio e o vereador Daniel Valença.

Natal, 25 de julho de 2026
GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - ASSECOM

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