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Governo dos EUA destina US$ 1 milhão para financiar críticas ao STF e levanta questão: qual o interesse de Washington na Corte brasileira?

No dia 30 de setembro de 2026, último dia do ano fiscal americano, o Departamento de Estado abrigou US$ 176,9 milhões do Human Rights and Democracy Fund (HRDF) em 43 concessões. O dado foi revelado pelo jornal britânico The Guardian, que teve acesso a documentos internos.

Segundo o jornal, o valor representa a maior parte dos US$ 205 milhões que o Congresso aprovou para todo o fundo de direitos humanos e democracia.

O pacote, que originalmente deveria financiar defensores de direitos humanos e vítimas de violações em regimes autoritários, foi redirecionado para causas conservadoras: um prêmio de US$ 40 milhões para um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation, projetos de defesa de "normas civilizacionais ocidentais" na Europa e campanhas ligadas à imigração e à proteção de cristãos.

Dentro desse pacote está o exemplo brasileiro.

Trata-se do projeto “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” - "Combatendo a litigância deliberada e a censura no Brasil" - com valor de US$ 1 milhão. A descrição oficial é de que o dinheiro financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que o programa americano define como excesso de poder judicial e censura atribuídos ao STF.

O programa faz parte do mesmo Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano.

A liberação ocorreu horas antes do prazo final e apesar de bloqueios impostos no Congresso. Parte das concessões enfrentou resistência da senadora democrata Jeanne Shaheen. O secretário de Estado, Marco Rubio, assinou um memorando que permitiu a liberação dos recursos.

O Departamento de Estado não comentou especificamente o programa brasileiro, mas afirmou que as concessões estavam em análise e que os beneficiários teriam de cumprir as regras previstas para os recursos federais.

O caso brasileiro chama atenção pelo contexto.

A reportagem do Guardian lembra que o governo Trump sancionou o ministro Alexandre de Moraes após lobby de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. A sanção e agora o financiamento ocorrem a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial de 2026, em um momento em que parlamentares democratas nos EUA já haviam enviado carta a Rubio questionando possível tentativa de interferir no processo eleitoral brasileiro.

É aqui que surge a pergunta central, que vai além do valor:

Qual é o interesse estratégico dos Estados Unidos no Supremo Tribunal Federal do Brasil?

Oficialmente, Washington justifica a iniciativa como defesa da liberdade de expressão. Na prática, financiar oposição organizada a uma Corte de um país aliado é medida incomum para um fundo criado para apoiar dissidentes em regimes autoritários.

Para críticos no Congresso americano, a proposta usa dinheiro do contribuinte para promover organizações de extrema-direita em democracias estabelecidas, o que seria desperdício e prejudicaria relações com parceiros democráticos. Para o governo brasileiro, que acionou AGU, PF e PGR após a revelação, a medida toca diretamente na soberania nacional.

Se o objetivo é defender direitos humanos, por que o alvo é o Judiciário de uma democracia consolidada? Se é defender liberdade de expressão, por que a escolha dos beneficiários passou de concorrência aberta para restrita, sem divulgação pública, como apontaram documentos examinados pelo UOL?

O caso do Brasil, dentro de um pacote maior de US$ 175 milhões redirecionados para causas conservadoras segundo o Guardian, serve como exemplo claro de como a definição do que são "direitos humanos" está sendo reescrita  e de como o STF entrou no centro da geopolítica americana.

TheBullPost - cópia integral: https://thebullpost.press/top-trump-figures-push-to-direct-human-rights-funding-to-rightwing-causes/

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