Depois
de percorrer toda a carreira da magistratura à qual me dedico há 43
anos fui massacrado no dia 10 de abril de 2012, pelo vídeo apresentado
nas diversas emissoras de televisão, pela imprensa escrita, blogs e
todos os meios de comunicação, no qual a servidora Carla Ubarana de
Araújo Leal, me acusa de coautoria num esquema de desvio de dinheiro
público da Divisão de Precatórios do Tribunal de Justiça, na época em
que tive a honra de presidir a egrégia Corte de Justiça do nosso Estado.
Em
troca do prêmio concedido a uma ré confessa no processo, sou vítima de
uma atitude torpe, cavilosa e caluniosa na clara intenção de confundir e
aplacar a fúria de uma sociedade que já não aguenta mais os desmandos e
desregramentos das verbas públicas.
Por
isso, em defesa da minha honra, repilo com toda a indignação as
mentiras e calúnias dirigidas a mim num depoimento articulado,
nitidamente traçado dentro de uma estratégia de defesa.
Se
aquelas afirmações da serventuária Carla Ubarana fossem verdadeiras eu
jamais seria digno de me sentar numa das cadeiras do plenário da mais
alta Corte de Justiça do nosso Estado. Cheguei à Presidência do Tribunal
de Justiça depois de haver convivido, primeiro como juiz no interior e
na capital, e depois como desembargador, com as mais ilustres, dignas,
honradas e doutas figuras da judicatura do nosso Estado. E aqui volto a
repetir uma frase de Cícero que fiz constar no meu discurso de posse: “A
Justiça é a rainha e a senhora de todas as virtudes”.
Procurei,
como era do meu dever, dar o melhor de mim na Presidência do Tribunal
de Justiça, no compromisso com a melhora nos índices de desempenho da
Justiça. Encarei e contei com a compreensão e o empenho de todo o
Judiciário na mudança de mentalidade de trabalho a partir do
estabelecimento de metas nacionais a serem atingidas. Ampliamos,
reformamos e construímos novos fóruns e implantamos novos serviços para
melhor atender ao jurisdicionado. Internamente passamos a contar com um
planejamento estratégico a partir do qual o próprio Poder Judiciário
definiu aonde quer chegar, como alcançar esses objetivos de forma clara e
capaz de ser auferida. Valorizamos o trabalho do servidor e da
magistratura e buscamos parcerias com a sociedade para levar o
Judiciário mais perto do cidadão.
A
infeliz situação em que se encontra hoje mergulhado o Judiciário
Potiguar é, por si só, uma capítulo que merece ser passado a limpo para
que se restaure a confiança na Justiça, sem a qual os indivíduos e os
povos reverteriam à barbárie.
Se
errei foi por confiar demais nas pessoas. Estou pronto a arcar com
minhas responsabilidades e espero que todos os envolvidos com esse
triste episódio sejam punidos por suas ações, omissões, dolo ou culpa.
Da
minha parte envidarei todos os esforços para provar minha inocência em
todas as esferas, ainda que já tenha sido acusado, denunciado e
condenado no tribunal inquisitorial da opinião pública.
Aguardarei
com a serenidade da minha consciência o veredito final com a cabeça
erguida de quem aprendeu durante toda uma vida dedicada à Justiça que no
final a verdade prevalecerá.
Entre
tantas fantasias urdidas, a mim me foi imputada a acusação de agir sob a
inspiração do ódio a toda uma família que mal nenhum me houvera feito.
Quem me conhece sabe que não nutro esse tipo de sentimento em minha vida
particular, muito menos levo para o serviço público qualquer tipo
mesquinho de atitude como essa.
Quem
quiser continuar a odiar, que continue, queime-se lentamente. Eu creio
no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.
Natal, 12 de abril de 2012.
Desembargador Rafael Godeiro
