A folha de São Paulo traz matéria hoje denunciando a prática comum no nordeste brasileiro, e o RN não é exceção, da troca de água pelo voto.
Em várias cidades, moradores contam que a entrega de água obedece a critérios políticos: quem não vota no candidato que controla as pipas não recebe a água. "Aqui tem uma política desgraçada que tem gente que até desvia [água]", relata Aldemir Coelho Neto, agricultor em Santa Cruz (PE).
O governo federal aluga 3.700 pipas para a região, controlados pelo Exército. São insuficientes. Quem pode, compra de particulares, que cobram entre R$ 120 e R$ 180.
Cícero Félix, coordenador de uma ONG que trabalha com o conceito de convivência com o semiárido, afirma que "os novos e os velhos coronéis estão vendo a estiagem como uma forma de manter seus poderes com as distribuições assistencialistas."
As obras anunciadas contra a seca, como a transposição do rio São Francisco, não foram concluídas.

