Da Folha
A certidão de óbito do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975) será
alterada. Por decisão judicial, divulgada ontem, a causa do óbito terá
uma nova explicação.
Em vez de suicídio, estará escrito: "A morte decorreu de lesões e
maus-tratos sofridos em dependência do II-Exército - SP (DOI-Codi)".
O juiz Márcio Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros Públicos de São
Paulo, acatou um pedido da viúva de Herzog, Clarice, e da Comissão da
Verdade.
É o primeiro resultado prático obtido pelo grupo formado pela presidente Dilma Rousseff, que se reuniu ontem, em São Paulo.
| Instituto Vladimir Herzog | ||||||||||||
| Vladimir Herzog na redação, em 1966 |
O juiz, em sua sentença, afirma que não acatar o pedido de mudança é
"prolongar o martírio da viúva e dos familiares e afrontar a consciência
pública nacional".
No dia 25 de outubro de 1975, Vladimir Herzog morreu após uma sessão de
tortura. Ele compareceu de forma espontânea à sede do DOI-Codi, na rua
Tutóia, no bairro do Paraíso (zona sul).
Os agentes repressores, depois da morte do jornalista, armaram a cena
para simular um suicídio. Uma nota oficial do Exército, emitida logo
após a morte, confirmou, na época, que o próprio Herzog havia dado fim a
sua vida.
O episódio virou um símbolo na luta contra a ditadura. Em 31 de outubro
de 1975, 8.000 pessoas se reuniram na praça da Sé, centro de São Paulo,
em um ato ecumênico para lembrar a morte.
