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Jean-Luc Godard em entrevista ao diretor alemão Alexander Kluge • Foto Reprodução/YouTube

Genial, criativo, polêmico, irrequieto, prolífico – esses são alguns adjetivos que podem ser atribuídos ao cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, que morreu nesta terça-feira (13), aos 91 anos, em sua residência na pequena cidade de Rolle, na Suíça.

A causa da morte não foi divulgada. ‘Jean-Luc Godard morreu pacificamente em casa, cercado por entes queridos", informou a família em comunicado. "Ele não estava doente, só estava exausto", disse um parente da família ao jornal francês Libération. “Então ele tomou a decisão de acabar com isso. Foi decisão dele e era importante para ele que fosse conhecido”. Outra pessoa próxima ao cineasta confirmou essa informação.

O suicídio assistido é permitido na Suíça e consiste em dar fim à própria vida, geralmente por meio da ingestão de medicamentos letais, sob supervisão médica.

Jean-Luc Godard nasceu em 3 de dezembro de 1930, em Paris. Depois de trabalhar como crítico na revista Cahiers du Cinéma, ele passou para o outro lado da câmera com filmes experimentais e documentários em 16mm, até chegar ao primeiro longa metragem em 1959: À Bout de Souffle, que no Brasil virou “Acossado”, relata a Rádio França Internacional.

Com roteiro de Claude Chabrol e François Truffaut, tornou-se um dos filmes icônicos da Nouvelle Vague – movimento francês que teve apogeu nos anos 1960. O longa, Urso de Prata de direção em Berlim, lançou os atores Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg. Quebrando paradigmas de narrativa e estrutura, o filme conta a história de um malandro parisiense que se apaixona por uma jovem americana.

Os filmes seguintes confirmaram Godard como um dos mais inventivos diretores da Nouvelle Vague: Viver a Vida (1962); O Desprezo (1963), Bande à part (1964), Alphaville (1965), O demônio das 11 horas (1965), Duas ou três coisas que eu sei dela (1966), A Chinesa (1966) e Week-end à francesa (1968).

Após o movimento estudantil de maio de 1968, Godard criou o grupo de cinema Dziga Vertov — assim chamado em homenagem ao cineasta russo de vanguarda — e voltou-se para o cinema político com filmes como Pravda (1969) e Até a vitória (1970).

No fim dos anos 1970, na chamada "segunda nouvelle vague", fez filmes como Sauve Qui Peut (1979), Passion (1982) e Je Vous Salue Marie (1985).

Além de vários Ursos em Berlim e Leões em Veneza, ele recebeu prêmios pelo conjunto de sua obra como o Leão de Ouro Honorário (em Cannes, 1982), o César (em 1987 e 1998), e um Oscar honorário (em 2010).

Em seu perfil no Twitter, o presidente da França, Emmanuel Macron, celebrou o legado do diretor. “Jean-Luc Godard, o mais iconoclasta dos cineastas da Nouvelle Vague, inventou uma arte decididamente moderna, intensamente livre. Nós perdemos um tesouro nacional, um olhar de gênio”, escreveu.

Godard deixa a esposa, Anne-Marie Miéville. A cerimônia de cremação deve ser realizada nesta quarta-feira (14).

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