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Foto: Luiza Medeiros

Neste domingo (07), o Rio Grande do Norte se uniu ao coro que ecoou por todo o país nos atos contra o feminicídio. Foi um dia em que mulheres, famílias e aliados transformaram indignação em presença, e presença em luta. Um dia em que o Brasil ouviu, mais uma vez, que não há democracia possível enquanto tantas mulheres seguem sendo assassinadas simplesmente por serem mulheres.

O movimento das mulheres tem sido, há décadas, a força mais persistente e corajosa no enfrentamento à violência. São elas que denunciam, que acolhem, que organizam redes, que constroem políticas públicas, que salvam vidas — muitas vezes sem o apoio necessário, muitas vezes enfrentando estruturas inteiras que insistem em naturalizar o inaceitável.

E essa mobilização só cresce porque a realidade é dura. Todos os anos, o Brasil perde um número chocante e inaceitável de mulheres para a violência masculina. São vidas arrancadas pelos próprios companheiros, ex-companheiros, familiares ou homens conhecidos. São mães, filhas, meninas, mulheres cuja existência é interrompida por um machismo estrutural que atravessa casas, ruas, instituições e relações.

Falar disso não é exagero — é urgência. É denunciar uma crise que nos atravessa diariamente. Porque cada morte carrega uma história silenciada, uma família destruída, uma comunidade ferida. E por trás de cada caso há sinais ignorados, pedidos de ajuda negados, e um sistema que ainda falha em proteger quem mais precisa.

Por isso os atos deste domingo foram tão potentes. Na Praia da Redinha, no coração do RN, o grito se ergueu como maré alta: ninguém suporta mais. As mulheres potiguares, junto com tantas outras, mostraram que não vão recuar. Mostraram que a vida das mulheres é inegociável.

E quando a deputada Divaneide Basílio lembrou que o feminicídio é uma violência que se sustenta no machismo e na desigualdade, ela disse em voz alta o que tantas já sabem: enfrentar o feminicídio é transformar a sociedade inteira. É mexer na cultura, nas estruturas, nas políticas, nos comportamentos. É exigir que o Estado trate a vida das mulheres como prioridade absoluta.

A todas as mulheres do RN e do Brasil: vocês têm razão em gritar. Têm razão em exigir. Têm razão em não aceitar mais. Nenhuma de nós será deixada para trás. Seguiremos juntas — nas ruas, nas redes, nas leis, nas instituições — até que nenhuma mulher seja morta por ser mulher.

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