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Não causou espanto — apenas confirmou o roteiro já conhecido — a decisão do Congresso Nacional de encolher os recursos da educação enquanto engorda as verbas destinadas à assistência social. Em ano eleitoral, a lógica é cristalina: menos investimento estrutural, mais ações de impacto rápido e fotografia garantida.

O mesmo Orçamento escancara a inversão de prioridades. As emendas parlamentares para a educação sofreram corte de 10% em 2026, enquanto a assistência social foi contemplada com um generoso aumento de 57%. Entram nessa conta iniciativas de forte apelo simbólico, como a distribuição de refeições e o custeio de unidades de acolhimento — políticas importantes, mas convenientemente mais visíveis do que salas de aula e hospitais funcionando.

Para completar o cardápio eleitoral, as ações de urbanismo também ganharam reforço: alta de 16,4% nos recursos para obras de pavimentação, reformas de praças e intervenções urbanas — aquelas que rendem placas, inaugurações e discursos fáceis.

As mudanças nas emendas não são fruto do acaso. Elas ocorrem justamente no ano em que deputados e senadores disputam votos e, pela primeira vez, contam com a garantia de que parte dessas indicações será paga obrigatoriamente antes do início da campanha. O Orçamento, mais uma vez, vira instrumento eleitoral.

Os dados fazem parte de relatório que será divulgado nesta sexta-feira (6) pela Central das Emendas, plataforma que cruza informações do Orçamento e ajuda a traduzir, em números, as verdadeiras prioridades do Congresso.

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