A governadora Fátima Bezerra oficializou nesta terça-feira (17) o que já era esperado nos bastidores: não disputará o Senado em 2026 e seguirá à frente do Rio Grande do Norte até o fim do mandato. A decisão foi acompanhada da divulgação de uma carta pública ao povo potiguar, na qual apresenta as razões políticas e pessoais para permanecer no cargo.
No texto, Fátima afirma que a escolha exige “coragem” e reforça que sua trajetória sempre foi guiada por compromissos coletivos. Segundo ela, abrir mão da candidatura ao Senado, considerada viável dentro do Partido dos Trabalhadores e incentivada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma decisão necessária para garantir estabilidade política e continuidade administrativa no estado.
A governadora também cita o rompimento político do vice, Walter Alves, como fator determinante. Sem a assunção do vice, uma eventual saída abriria caminho para eleição indireta na Assembleia Legislativa, hipótese que ela rejeitou ao afirmar que não colocaria em risco avanços recentes da gestão.
Na carta, Fátima destaca obras e projetos considerados estratégicos, como a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR-304 e ações ligadas à transposição do Rio São Francisco. Também relembra o cenário encontrado ao assumir o governo, com crise fiscal e problemas na segurança pública, contrapondo com o que classifica como melhorias alcançadas.
“Os mais de um milhão de votos que recebi serão honrados até o último dia do mandato”, afirmou.
Em tom político, a governadora ainda faz críticas à chamada “velha elite” e aponta uma articulação para enfraquecer o PT no Senado, afirmando que o grupo político seguirá competitivo nas eleições.
Com a decisão, o Partido dos Trabalhadores deverá apresentar um novo nome para disputar o Senado no estado, enquanto Fátima reforça que permanecerá no cargo para consolidar projetos e evitar retrocessos no Rio Grande do Norte.
Carta ao povo potiguar,
A coragem sempre me acompanhou, desde quando migrei da Paraíba para estudar, até quando renunciei a reeleições, sem falsa modéstia, asseguradas para me lançar a desafios até então impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo. Nunca tive medo da disputa eleitoral pois sempre me coloquei a serviço de um projeto maior de nação e de sociedade, que é maior que minha própria vida.
Coragem para disputar o senado, em 2014, colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional. Coragem para renunciar à metade do mandato de senadora, em 2018, para disputar o governo do estado e assumi-lo em situação crítica e precária. Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora.
Agora, tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia - e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas.
O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público. Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte.
Os mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato. A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar e garantir a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco. Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas.
Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas. Esse foi o Estado que herdamos e para o qual não temos o direito de retroceder. O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada.
Hoje, no RN, temos o dobro de escolas em tempo integral e profissionalizantes, inclusive uma rede de novos IERNs – O IF potiguar; temos saúde em todas as regiões do estado, dispensando os deslocamentos para Natal para exames e cirurgias; temos novas delegacias da mulher, mulheres sem barreiras para entrar na PM, patrulha Maria da Penha ampliada e um combate firme ao feminicídio.
Temos outro estado, meu querido povo potiguar. E eu tenho um amor imenso por essa terra, por nossa gente, por cada cantinho desse Rio Grande que passou a ter Norte, esperança e um futuro promissor. Esse amor me faz ficar, numa decisão que não é pequena nem qualquer. Não ter vaidade nos ajuda a ter sobriedade mesmo frente às injustiças.
Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado.
Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luis Inácio Lula da Silva presidente!
Fátima Bezerra
Natal, 17 de março de 2026
