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Entre a estatística e o silêncio


O gráfico ao lado escancara um retrato incômodo do Brasil: a desigualdade na incidência de processos por estupro de vulnerável entre os estados e, sobretudo, a distância entre números e justiça efetiva.

A linha da média nacional funciona quase como um divisor simbólico. Acima dela, estados como Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Amapá revelam taxas expressivas, o que pode indicar maior capacidade de registro, estrutura institucional ou até maior incidência. Abaixo, uma extensa faixa de estados onde os números são menores, mas não necessariamente o problema.

É nesse ponto que o dado do Rio Grande do Norte chama atenção. Com taxa de 116,9 por 100 mil habitantes, o estado aparece abaixo da média nacional. À primeira vista, poderia sugerir um cenário menos grave. 

Mas a reportagem da Folha de S.Paulo desmonta qualquer leitura simplista: em todo o país, a maioria esmagadora desses casos sequer chega a uma conclusão.

Ou seja, o problema não está apenas em quantos casos existem,  mas em quantos desaparecem no caminho.

Quando nove em cada dez processos de estupro de vulnerável terminam sem sentença, o gráfico deixa de ser apenas um ranking e passa a ser um mapa de lacunas. Abaixo ou acima da média, o que une os estados é a baixa capacidade de transformar denúncia em resposta concreta.

O RN, portanto, não está fora do problema, está dentro de um sistema que registra, mas não resolve.

No fim, a linha mais importante do gráfico talvez não seja a média nacional, mas aquela invisível: a que separa o registro da justiça.


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