A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Barcelona acerta ao recolocar no centro do debate temas urgentes como desigualdade, democracia e justiça social. Em um cenário global marcado por tensões políticas e avanço de discursos extremistas, reforçar esses valores não é apenas oportuno é necessário.
Ao reconhecer que o campo progressista falhou em romper com a lógica econômica dominante, Lula toca em um ponto sensível e muitas vezes evitado. A autocrítica, nesse caso, é um passo importante, mas insuficiente por si só. O desafio continua sendo transformar discurso em ação concreta, sobretudo em um ambiente econômico global ainda fortemente ancorado em práticas que aprofundam desigualdades.
O presidente também acerta ao ampliar o debate para além das fronteiras nacionais, defendendo o multilateralismo e denunciando o peso desigual que recai sobre o Sul Global. No entanto, a construção dessa nova ordem exige mais do que retórica, requer articulação política efetiva e capacidade de liderança internacional.
No fim, a mensagem é clara, quando há consciência dos problemas e intenção de enfrentá-los. "A desigualdade não é um fato. É uma escolha política”, afirmou Lula. Resta saber se o progressismo conseguirá, desta vez, sair do campo das promessas e avançar para mudanças estruturais reais.

