A aguardada votação da PEC 65/2023, que amplia a autonomia administrativa, financeira e orçamentária do Banco Central, não aconteceu nesta sexta-feira (19), frustrando a expectativa dos defensores da proposta. O texto segue pronto para deliberação do Plenário, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda articula um calendário capaz de reunir apoio suficiente para a matéria.
O adiamento mantém acesa uma disputa que vai muito além da gestão do Banco Central. A proposta tornou-se um teste de forças entre setores que defendem maior independência da autoridade monetária e parlamentares que enxergam risco de excessivo distanciamento do controle político e institucional.
Entre os apoiadores da PEC estão os senadores potiguares Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB), ambos signatários da proposta desde sua apresentação. Os dois são considerados votos favoráveis quando a matéria chegar ao plenário.
As atenções no Rio Grande do Norte se voltam agora para a senadora Zenaide Maia (PSD). Embora não tenha anunciado publicamente seu voto, interlocutores em Brasília avaliam que ela tende a adotar uma posição mais cautelosa diante do texto. Integrante de um campo político mais próximo do governo federal em diversas pautas, Zenaide poderá buscar ajustes ou garantias adicionais antes de definir seu posicionamento.
Nos corredores do Senado, a leitura é que o voto da parlamentar potiguar poderá servir como termômetro da resistência de setores do centro e da base governista à proposta. Por isso, enquanto Rogério e Styvenson já aparecem alinhados à aprovação da PEC, a expectativa permanece sobre qual será o movimento de Zenaide quando a matéria finalmente entrar na pauta do plenário.
O adiamento da votação, longe de esfriar o debate, amplia a mobilização de apoiadores e críticos da proposta, que promete ser uma das mais importantes discussões econômicas do Senado neste semestre.
