Depois de invadirem a televisão, o futebol, as redes sociais, os podcasts e até o intervalo daquele vídeo que ninguém queria interromper, as bets finalmente começaram a despertar preocupação no Congresso. Não pelo volume de anúncios, que já transformou o brasileiro em apostador em potencial, mas pelo estrago que essa avalanche de propaganda vem produzindo.
O Senado analisa o Projeto de Lei 2.470/2026, que pretende restringir a publicidade das plataformas de apostas esportivas. A proposta parte de uma constatação bem simples. Quando o lucro de poucos cresce à velocidade de um clique, o prejuízo costuma aparecer na conta de muita gente.
A lógica das bets foi vendida como entretenimento. Na prática, virou uma indústria que promete dinheiro fácil, glamour e emoção, sempre acompanhada de celebridades, influenciadores e jogadores de futebol. O azar, curiosamente, quase nunca aparece na propaganda.
Os defensores da proposta argumentam que a publicidade desenfreada incentiva o jogo compulsivo, aumenta o endividamento e afeta principalmente jovens e pessoas mais vulneráveis. Não por acaso, o projeto nasceu na Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental.
Vamos ao que interessa: se cigarro, bebida alcoólica e outros produtos passaram a ter restrições por seus impactos sociais, por que as bets deveriam continuar apostando livremente na sedução do "ganhe muito sem sair do sofá"?
O projeto ainda está no início da tramitação. Mas uma coisa já está clara. A festa da publicidade irrestrita das apostas talvez esteja entrando nos acréscimos.
Cidade Sem Filtro
Rosalie Arruda

