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Governadora Fátima Bezerra acompanha chegada das águas do Rio São Francisco pelo Ramal do Apodi; momento simboliza o início de uma nova etapa para milhares de famílias do Alto Oeste potiguar


Se o sertanejo sempre aprendeu a olhar para o céu em busca de chuva, nesta sexta-feira (3) o olhar foi outro: acompanhou a água correndo pelo canal. Depois de décadas de promessas, projetos, obras e muita expectativa, as águas da transposição do Rio São Francisco finalmente chegaram ao Ramal do Apodi, em território potiguar.

A cena foi acompanhada pela governadora Fátima Bezerra, um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurar o Túnel Major Sales. Desta vez, porém, a estrela da cerimônia não fez discurso. Apenas correu. E foi suficiente para arrancar sorrisos, aplausos e até o som da sanfona dos moradores que transformaram o momento em festa.

A água percorreu quilômetros de canais, aquedutos e túneis para chegar ao Rio Grande do Norte, encerrando uma espera que atravessou gerações. No sertão, onde durante décadas o assunto era "quando a água vem?", a conversa agora começa a mudar para "ela chegou".

Para quem enfrentou açudes vazios, caminhões-pipa e longos períodos de estiagem, ver a água avançando pelo canal tem um significado que vai muito além da engenharia. É a esperança de mais segurança hídrica, melhores condições para produzir no campo e menos dependência dos caprichos do inverno.

Emocionada, a governadora Fátima Bezerra definiu o momento como uma reparação histórica para o povo do semiárido.

"Isso aqui representa desenvolvimento para o nosso povo. Mas eu enfatizaria que é, sobretudo, uma reparação do ponto de vista histórico. Esse momento deixa para trás um passado de escassez e traz agora para o sertão esperança e dignidade. Dignidade porque a água é vida."

A governadora também lembrou da própria infância, marcada pela convivência com a seca, e afirmou que assistir às águas do São Francisco cruzando o território potiguar representa a realização de um sonho compartilhado por milhares de nordestinos.

Embora o sistema ainda passe por testes e etapas finais até entrar em operação plena, especialistas consideram este um dos momentos mais simbólicos do Projeto de Integração do Rio São Francisco: a obra deixa de ser apenas concreto para cumprir sua verdadeira missão ou seja,  transportar água.

E, convenhamos, depois de tantos anos ouvindo que ela estava "logo ali", desta vez ninguém precisou de explicação técnica. Bastou olhar para o canal. A água estava lá.

Quando todas as etapas forem concluídas, cerca de 750 mil pessoas em 54 municípios do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Ceará deverão ser beneficiadas. 

Para o Alto Oeste potiguar, uma das regiões historicamente mais castigadas pela seca, o dia entra para a história como aquele em que a esperança resolveu seguir o curso da água.

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