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O Brasil vive uma nova realidade em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pela primeira vez, o Censo Demográfico incluiu informações sobre o tema e revelou um retrato que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e aos serviços especializados.

Os dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, mostram que 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população. No Rio Grande do Norte, são 37.625 pessoas com autismo, sendo 10.518 residentes em Natal.

O levantamento também confirma que o diagnóstico é mais frequente entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%), com maior incidência entre crianças de 5 a 9 anos, fase em que os sinais costumam ficar mais evidentes.

Para especialistas, o crescimento dos diagnósticos não significa, necessariamente, que existam mais pessoas com autismo hoje do que no passado. A principal explicação está na evolução dos critérios clínicos, na maior conscientização da sociedade e na busca mais precoce por avaliação especializada.

"Hoje as famílias, as escolas e os profissionais de saúde conseguem identificar os sinais do autismo com mais rapidez. Isso faz com que mais crianças — e até adultos que passaram anos sem diagnóstico — procurem avaliação especializada", explica Joice Melo, CEO da Bem Criar.

Segundo ela, o avanço representa um importante ganho para a saúde pública, mas também evidencia um novo desafio: garantir que a rede de atendimento consiga acompanhar o aumento da demanda.

"O desafio agora é ampliar a estrutura de atendimento, oferecendo intervenções de qualidade, equipes multidisciplinares e apoio permanente às famílias", destaca.

A identificação precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento das pessoas com TEA. Quanto mais cedo são percebidos sinais como atraso na fala, dificuldades de interação social, comportamentos repetitivos e alterações sensoriais, maiores são as possibilidades de intervenções que favoreçam a autonomia e a qualidade de vida.

Os números revelados pelo IBGE reforçam que o autismo deixou de ser um tema restrito aos consultórios e passou a ocupar espaço nas políticas públicas, na educação e no cotidiano das famílias brasileiras. O desafio, agora, é fazer com que o crescimento dos diagnósticos seja acompanhado por uma rede de assistência preparada para oferecer acolhimento, tratamento e inclusão.

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