fonte- A tarde
Nos bastidores, um dos principais defensores de uma mulher na vice era o senador Rogério Marinho (PL-RN), que sustentava que a chapa deveria ser encabeçada por uma representante do Nordeste, numa tentativa de ampliar a competitividade da candidatura na região.
A avaliação da equipe de Flávio Bolsonaro e da direção do PL era de que o vice ideal deveria ter projeção nacional, agregar votos e dialogar com segmentos estratégicos, como o eleitorado evangélico, o agronegócio ou o Nordeste. Pesquisas internas, porém, apontaram a dificuldade de encontrar um nome que reunisse todas essas características.
O próprio Flávio também defendia uma mulher na vice, apostando que a escolha poderia reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino. Como parte dessa estratégia, trouxe sua esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, para atuar mais diretamente na campanha.
A preocupação em conquistar o voto das mulheres ganhou ainda mais peso após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmar publicamente que havia sido maltratada por Flávio. Um mês depois da crise, os dois sinalizaram uma reaproximação. Michelle aceitou o pedido público de desculpas do senador e prometeu participar da campanha.
Segundo relatos de lideranças do Centrão, a dificuldade de Flávio em construir alianças e montar uma chapa competitiva decorreu, em parte, de problemas de articulação política e diálogo. Já integrantes do PL atribuem a resistência de partidos do bloco à influência exercida pelo governo Lula nas negociações políticas.
