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Emenda parlamentar é dinheiro público. E, em tese, deveria seguir o caminho do interesse público. Mas, no caso da deputada estadual Edna Macedo (Republicanos-SP), o roteiro ganhou um capítulo bastante familiar.

Segundo levantamento publicado pelo Intercept Brasil, a parlamentar destinou R$ 2,2 milhões em emendas para megaeventos ligados à Igreja Universal, instituição comandada por seu irmão, o bispo Edir Macedo. Edna disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo.

A primeira fatia foi de R$ 1,2 milhão, em 2025, para a The Love Walk, evento que mistura palestras, música e orientações sobre relacionamentos. A outra, de R$ 1 milhão, foi destinada neste ano ao Família ao Pé da Cruz, que reúne cultos religiosos em estádios e ginásios.

Os recursos passam pelo Instituto Paulo Kobayashi, que, segundo o levantamento, recebeu R$ 37,7 milhões em recursos públicos entre 2023 e 2026. Desse total, pelo menos R$ 16,8 milhões foram destinados a eventos da Universal.

Tudo dentro da regra, se estiver dentro da regra. Mas a pergunta incômoda continua ali, piscando em neon: quando o dinheiro do contribuinte vai parar em eventos da igreja comandada pelo irmão da parlamentar, a distância entre interesse público e interesse familiar não fica pequena demais?

Porque, no Brasil das coincidências políticas, há família que se reúne para o almoço de domingo. E há família que consegue reunir R$ 2,2 milhões em emendas parlamentares.

A reportagem completa é de Thalys Alcântara, no Intercept Brasil.

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