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Panos Quentes !!!

O que nasceu como um projeto cinematográfico para contar a trajetória de Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo ,  desta vez, nos autos do Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito específico para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeitas relacionadas à captação de recursos para o filme Dark Horse.

A investigação foi aberta em julho, a pedido da Polícia Federal e com concordância da Procuradoria-Geral da República, mas só veio a público agora, após a retirada do sigilo de parte dos documentos de processos relacionados ao caso.

Segundo as apurações, Flávio Bolsonaro teria negociado com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, a obtenção de US$ 24 milhões, valor que correspondia a cerca de R$ 134 milhões à época, para financiar a produção. O ponto importante é que esse foi o valor negociado, e não o montante comprovadamente pago.

Documentos financeiros citados na investigação apontam que pelo menos US$ 12,3 milhões foram transferidos para a Havengate, fundo nos Estados Unidos envolvido no financiamento do longa. 

O rastro financeiro ganhou peso com o depoimento de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos. Em colaboração com as autoridades, ele relatou ter realizado sete transferências para a Havengate, que totalizaram US$ 12,3 milhões, a pedido de Vorcaro.

É justamente aí que a investigação começa a sair do terreno de uma simples captação de recursos para um filme e entra numa zona bem mais delicada: qual era a origem do dinheiro, qual foi o caminho percorrido pelos recursos e qual foi, efetivamente, sua destinação?

A PF também apura se todo o dinheiro enviado à Havengate foi utilizado na produção de Dark Horse ou se parte dos recursos teria sido empregada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. Essa é, por enquanto, uma linha de investigação. 

Onde entra Dino...

O caso ainda possui uma segunda frente no STF. O ministro Flávio Dino apura suspeitas relacionadas ao uso de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinados pelo então deputado Mario Frias a uma entidade ligada à produtora Karina Gama, relacionada ao projeto do filme. Nessa frente, PF e CGU levantaram suspeitas de possíveis irregularidades, incluindo favorecimento e eventual desvio de recursos públicos.

São, portanto, duas investigações diferentes que se encontram no mesmo projeto cinematográfico: uma mira a captação privada de recursos e a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro; a outra examina a utilização de dinheiro público por meio de emendas parlamentares.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Afirma que os recursos utilizados no filme eram privados e que não houve dinheiro público na produção.

Politicamente, o caso ganha uma dimensão adicional porque Flávio é candidato à Presidência da República. Mas é importante separar fato de consequência política.  O inquérito está justamente na fase de apuração das suspeitas.

No fim das contas, Dark Horse deixou de ser apenas um filme sobre Bolsonaro. Tornou-se também um personagem de uma investigação que tenta responder perguntas bem mais incômodas: quem colocou o dinheiro, de onde ele veio, por onde passou e para onde foi?

E é dessas respostas , ainda não conhecidas integralmente , que dependerá o tamanho real do problema.

Cidade Sem Filtro
11 de setembro
Rosalie Arruda


A proposito, circula a informação que o ministro Alexandre de Moraes solicitou ao ministro Edson Fachin o julgamento conjunto de petições com o ministro André Mendonça. Moraes contesta a conduta de Mendonça, apontando "seletividade" e parcialidade na retirada do sigilo de investigações relacionadas ao caso.

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