O tamanho do dinheiro perdido pelas famílias brasileiras nas bets ajuda a dimensionar o impacto das apostas online no país. Em 2025, a perda líquida chegou a R$ 62,5 bilhões, segundo levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).
O valor corresponde à diferença entre o dinheiro transferido pelos apostadores e o que retornou em forma de prêmios. As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. No período analisado, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.
Na média, a perda líquida foi de aproximadamente R$ 4,7 bilhões por mês. O levantamento foi elaborado a partir de dados do Banco Central e mostra mudanças no padrão de transferências das famílias após a regulamentação das apostas, com maior direcionamento de recursos para as plataformas.
O estudo também aponta que a restrição às apostas para beneficiários do Bolsa Família, adotada em outubro de 2025, foi seguida por uma desaceleração das transações destinadas às bets. Para o Comsefaz, o movimento indica participação relevante das famílias de menor renda nesse mercado.
Proibição
O cenário ganhou novo capítulo em 25 de setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória nº 1.394, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país, incluindo apostas esportivas e jogos online.
Pelo cronograma da medida, os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores mantidos nas plataformas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar. Os saldos remanescentes deverão ser devolvidos pelas instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro.
A medida também criou um comitê interinstitucional para fiscalizar a exploração e a publicidade ilegal das bets. Nos primeiros dias após a proibição, uma força-tarefa do governo informou ter derrubado 506 sites suspeitos de apostas irregulares.
O tamanho do rombo financeiro ajuda a explicar por que as bets deixaram de ser apenas uma questão de entretenimento e passaram a ocupar espaço no debate sobre renda familiar, endividamento, saúde e proteção do consumidor.
