A tesoura fiscal da equipe de Flávio Bolsonaro já encontrou dois alvos sensíveis: saúde e educação.
Está em estudo a possibilidade de acabar com os pisos constitucionais que obrigam a União a destinar recursos mínimos para essas duas áreas. A proposta, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, seria corrigir os valores apenas pela inflação, em vez de garantir o crescimento previsto no modelo atual.
No PowerPoint, é ajuste fiscal. Na vida real, a pergunta é outra: quem vai sentir primeiro o corte?
O instituto federal que deixa de crescer? O hospital público que espera investimento? O programa de medicamentos que perde espaço? O SUS, que já atende milhões de brasileiros?
A campanha de Flávio diz que a medida não está no plano oficial. E o próprio candidato já afirmou que não pretende mexer nos pisos.
Ótimo. Que fique registrado.
Porque, quando se fala em política, promessa também precisa de memória. E mudanças de posição podem acontecer com velocidade impressionante quando a realidade bate à porta — ou quando a matemática do ajuste fiscal aperta.
Se a proposta é apenas uma hipótese, que seja tratada como hipótese. Mas se ela chegar ao governo, a sociedade terá o direito de perguntar: ajuste para quem e economia à custa de quem?
A Constituição criou os pisos justamente para impedir que saúde e educação dependam do humor de cada governo e da tesoura de cada ministro da Fazenda.
Mexer nessa proteção não é detalhe técnico. É uma escolha política.
E escolhas políticas têm consequências políticas.
Cidade Sem Filtro.
Porque quando anunciam economia, é sempre bom perguntar quem vai pagar a conta.

