O roteiro de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, ganhou um capítulo que nem Hollywood precisa inventar, uma divergência contábil de milhões de dólares. E, desta vez, o mistério não está nas telas.
Segundo a Polícia Federal, mais de US$ 12 milhões saíram do Brasil, mas apenas US$ 2,8 milhões tiveram ingresso registrado de volta no país para financiar a produção. A diferença, por enquanto, está no roteiro da investigação e os investigadores querem descobrir onde foi parar o restante.
O dinheiro teria saído da Entre Investimentos, empresa ligada ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, com destino ao fundo americano Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Diante das inconsistências, a PF pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para investigar o caminho dos recursos e esclarecer se o dinheiro foi efetivamente aplicado no filme ou se a produção teria servido para ocultar ou desviar valores.
O senador Flávio Bolsonaro, que entrou na mira da investigação em julho, também é investigado no caso. A apuração ganhou força após a divulgação de uma conversa em que ele teria pedido recursos a Vorcaro para financiar as gravações. Flávio negou ter negociado vantagens indevidas e afirmou que os recursos eram privados.
Por enquanto, Dark Horse tem suspense financeiro, personagens de peso e uma pergunta milionária sem resposta. Falta esclarecer se o dinheiro fez uma escala em Hollywood ou se pegou outro caminho.
Porque, nesse filme, o maior mistério não é quem interpreta Bolsonaro. É quem explica a contabilidade.
Com informações da Agencia Brasil

