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No Rio Grande do Norte, estimativa do INCA aponta 1.160 novos casos em 2026; campanha reforça diagnóstico precoce, tratamento e reconstrução mamária


O Outubro Rosa começou nesta quinta-feira (1º) no Rio Grande do Norte com um alerta que não cabe apenas no mês de outubro: o câncer de mama continua sendo um dos grandes desafios da saúde da mulher.

A abertura da programação da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional RN (SBM/RN) ocorreu na Associação Médica do Rio Grande do Norte e reuniu profissionais de saúde, entidades, grupos de apoio e pacientes oncológicas.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do problema. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no Brasil no triênio 2026-2028. A doença representa cerca de 30% dos casos de câncer entre as mulheres no país.

No Rio Grande do Norte, a estimativa para 2026 é de 1.160 novos casos, com taxa bruta de 65,27 casos para cada 100 mil mulheres. Em Natal, são estimados 350 novos casos no mesmo ano.

Para a presidente da SBM/RN, a mastologista Roberta Jales, os números reforçam a necessidade de manter os cuidados durante todo o ano.

Com o tema “A vida nos une, o cuidado nos move”, a campanha deste ano chama atenção para prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento. A entidade também defende a incorporação de hábitos saudáveis à rotina, como atividade física regular, alimentação equilibrada e redução do consumo de álcool.

O desafio do diagnóstico



Durante o lançamento, o chefe do serviço de mastologia da Liga Contra o Câncer, Jader Gonçalves, chamou atenção para o intervalo previsto para a realização da mamografia e defendeu que o tempo entre os exames seja discutido à luz da necessidade de diagnóstico precoce.

O presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do RN, Robinson Dias, também alertou para o cenário potiguar e destacou a necessidade de uma rede de assistência organizada para garantir que o diagnóstico seja seguido pelo tratamento adequado.

O desafio não termina quando o tumor é retirado. Para muitas mulheres, a reconstrução mamária continua sendo uma etapa distante.


Reconstruir também faz parte do cuidado

Foi apresentado durante o evento o Projeto Reflorescer, parceria da SBM/RN com a Liga Contra o Câncer para arrecadar recursos destinados à reconstrução mamária de mulheres submetidas à mastectomia.

Segundo levantamento apresentado pela entidade, apenas 20,5% das pacientes atendidas na rede pública brasileira passam por reconstrução mamária com implante de prótese. No Rio Grande do Norte, a estimativa apresentada pela SBM/RN é de que mais de 80% das mulheres mastectomizadas não consigam realizar o procedimento pelo SUS.

A proposta é realizar um mutirão de cirurgias em novembro.

Para financiar a iniciativa, a SBM/RN colocou à venda camisetas e lenços com arte criada pela artista potiguar Ariel Guerra, inspirada no tema da campanha. Os produtos estão disponíveis em pontos de venda como Beat.Co, AVVA, no CCAB Sul, e na Clínica Roberta Jales.

Outubro Rosa é o mês do alerta. O cuidado é para o ano inteiro.

A programação reúne Liga Contra o Câncer, SOGORN, Associação Médica do RN, CRM, Secretaria Municipal de Saúde de Natal, Reviver, Grupo Bonitas, Fecomércio e outros parceiros.

Mais do que vestir a cor rosa, a campanha coloca em discussão uma questão essencial: não basta falar em prevenção se a mulher não consegue chegar ao diagnóstico e, depois dele, ter acesso ao tratamento e à reconstrução.

No Brasil, são 78,6 mil novos casos de câncer de mama estimados por ano. No RN, mais de 1,1 mil mulheres poderão receber esse diagnóstico somente em 2026.

O Outubro Rosa começa em outubro. Mas a atenção à saúde da mulher não pode terminar junto com o mês.


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