Uma reportagem deste domingo no New York Times mostra como os avanços recentes no mapeamento do DNA estão transformando a visão científica sobre os neandertais, antes considerados intelectualmente inferiores aos humanos modernos.
Pesquisas recentes revelam que a relação entre Homo sapiens e neandertais foi muito mais próxima e complexa do que se imaginava, incluindo cruzamentos frequentes e trocas genéticas significativas. Em agosto do ano passado, um estudo publicado no ScienceDaily apresentou o fóssil mais antigo do mundo com características de neandertais e Homo sapiens: uma criança de cinco anos da Caverna Skhul, em Israel, datada de 140.000 anos atrás.
Outros estudos mostram que grande parte da população atual fora da África carrega DNA neandertal, que influencia aspectos como o sistema imunológico, a resposta a doenças, a pigmentação da pele e até traços comportamentais. Longe de serem uma espécie “bruta” ou primitiva, os neandertais demonstravam capacidade simbólica, adaptação ao ambiente, produção de ferramentas sofisticadas e possível uso de linguagem.
A reportagem também destaca que a extinção dos neandertais não foi resultado de inferioridade, mas de processos complexos, como mudanças climáticas, assimilação genética pelos humanos modernos e dinâmicas populacionais. O texto conclui que os neandertais não desapareceram completamente: eles continuam presentes no genoma humano atual, obrigando a ciência a revisar antigas narrativas sobre evolução, inteligência e superioridade humana.
