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A escritora potiguar Vanessa Augusta lança, em outubro, seu primeiro romance de ficção: Eu sou o animal da minha mãe. A obra tem como eixo central a economia do cuidado, explorando os impactos sociais, financeiros e emocionais que recaem, sobretudo, sobre mulheres que assumem a função de cuidar do outro.

A economia do cuidado abrange atividades essenciais para a manutenção da vida — como cuidar de crianças, idosos, pessoas doentes ou com deficiência —, mas que ainda permanecem pouco valorizadas e, em grande parte, atribuídas às mulheres, reforçando desigualdades sociais e econômicas.

Para construir a narrativa, Vanessa mergulhou em pesquisas e escutas sobre maternidade e relações familiares, reunindo relatos, leituras e experiências de outras mulheres. “Meu desejo era fugir da ideia de maternidade convencional, aquela que santifica a mãe. Eu sempre quis sair desse lugar. E quando as mães não amam? E quando não estão preparadas para ser mães? E quando a mãe não cuida?”, provoca a autora.

A trama acompanha A., personagem que revive lembranças da infância enquanto, no presente, assume os cuidados da mãe idosa. Nesse embate, os papéis se invertem: a filha, agora cuidadora, faz a mãe enfrentar situações que também a marcaram — gesto que mistura vingança e afeto.

“É uma história ambivalente. Ao mesmo tempo em que ressalta as faltas dessa relação, revela a idealização de uma mãe que pudesse amar como a filha gostaria de ser amada”, explica Vanessa.

Com uma narrativa dura, mas poética, Eu sou o animal da minha mãe expõe contradições, silêncios e afetos. Entre a dor e a delicadeza, o livro revela a pureza de um olhar infantil que insiste em buscar beleza, mesmo nas experiências mais difíceis.

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