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O bolsonarismo enfrenta seu pior momento desde que surgiu como força política em 2018.

Uma sequência de fatos e decisões jurídicas recentes - a inelegíbilidade até 2030 do presidente Bolsonaro; sua prisão domiciliar e condenação criminal na sequência; a proibição de usar redes sociais e dar declarações políticas; até mesmo falar com um de seus filhos - isolou o principal nome da direita brasileira em seu próprio lar. Bolsonaro está ilhado em sua própria casa, atado em seus braços e impedido daquilo que mais gostava de fazer que era sair às ruas, dar declarações e ser saudado por seguidores. Sem falar nos problemas de saúde que não são poucos.

Ainda assim, ele é o único capaz de unir a base conservadora e transferir votos em escala relevante. Nenhum nome da direita se viabiliza nacionalmente sem o aval direto de Jair Bolsonaro. 

Mas, na ausência de Bolsonaro, a direita anda desunida. O nome mais citado a enfrentar o presidente Lula, Tarcísio de Freitas enfrenta resistência interna. Eduardo Bolsonaro, figura de peso na ala mais radical e ideológica do bolsonarismo, não aceita a ideia de “entregar” seu capital político a Tarcísio, ou qualquer outro nome, que não represente fielmente os valores do movimento. Para Eduardo, esse nome é o seu próprio. Sim, Eduardo quer substituir o pai como candidato da direita.

Mas, as taxações do presidente Trump às exportações brasileiras, entendidas como uma ação de Eduardo Bolsonaro, provocou efeito "tiro que sai pela culatra" e foi muito bem explorado pela esquerda. As recentes pesquisas dando ao presidente Lula um poder de recuperação são consequências das desastrosas intrimissões do governo Trump no país.

Essa semana, as divergências atingiram até o núcleo familiar. Bolsonaro ficou visivelmente irritado com recentes declarações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em que o deputado fez acenos ao trumpismo, mas também deu sinais de autonomia política que desagradaram ao pai. O clima nos bastidores é de tensão.

Some-se a isso as críticas públicas feitas por figuras antes leais, como o comentarista Paulo Figueiredo, neto de um ex-presidente do regime militar, que passou a questionar abertamente as decisões de Bolsonaro, inclusive o silêncio diante da crise institucional.

No Congresso, o projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro — agora rebatizado como “projeto da dosimetria” — permanece indefinido. A base bolsonarista esperava uma rápida aprovação, mas enfrenta resistência até mesmo de parlamentares do centrão, que veem o tema como politicamente tóxico.

Com a imagem cada vez mais desgastada, disputas internas em ebulição e sem uma liderança clara para reorganizar as forças, o bolsonarismo parece viver o seu inverno mais rigoroso. A dúvida agora não é apenas se o movimento sobreviverá como força política relevante, mas em que formato — e sob qual liderança.

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