O Brasil encerrar 2025 com 1.470 feminicídios não é apenas um dado estatístico — é a confirmação de um fracasso coletivo. São quatro mulheres mortas por dia pelo simples fato de serem mulheres. Um número que choca, mas que, perigosamente, começa a se tornar rotina no noticiário.Casos extremos, como o assassinato de Tainara Souza Santos, escancaram a brutalidade da violência de gênero e revelam o quanto o país ainda falha em proteger mulheres mesmo quando os sinais de risco são evidentes. O feminicídio raramente é um ato isolado: ele costuma ser o último capítulo de uma sequência de ameaças, agressões e omissões.
O problema não está na falta de leis. O Brasil possui instrumentos importantes, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio. O que falta é execução efetiva, prevenção contínua e responsabilização rápida. Medidas protetivas que não são fiscalizadas, denúncias que não geram resposta imediata e a naturalização da violência criam o ambiente perfeito para a tragédia.
Como amenizar o problema? Nenhuma solução é simples, mas há caminhos claros:
Fortalecer a prevenção: identificar situações de risco antes que se tornem fatais, com monitoramento efetivo de agressores e acompanhamento das vítimas que solicitam medidas protetivas.
Resposta rápida do Estado: delegacias especializadas funcionando 24 horas, com equipes treinadas e integração com Judiciário e assistência social.
Educação e mudança cultural: políticas permanentes de educação para igualdade de gênero desde a infância, combatendo a normalização da violência.
Rede de proteção real: ampliação de casas-abrigo, apoio psicológico, jurídico e financeiro para que mulheres consigam romper ciclos de violência.
Dados e transparência: estatísticas atualizadas e integradas para orientar políticas públicas e permitir cobrança da sociedade.
O feminicídio não é inevitável. Ele é previsível — e, justamente por isso, evitável. Tratar cada número como uma vida interrompida é o primeiro passo para deixar de aceitar o inaceitável.
