O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou irritação com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e chegou a afirmar a aliados, em conversas reservadas, que o magistrado deveria deixar a Corte, segundo noticiou a Folha de S.Paulo. Auxiliares do presidente relatam um incômodo crescente e classificam a declaração como um desabafo, ressaltando que não há, até o momento, qualquer iniciativa concreta do Palácio do Planalto para defender a renúncia do ministro.
Em dezembro, logo após Toffoli decretar sigilo absoluto no processo envolvendo o banco Master, Lula se reuniu com o magistrado para tratar de questões relacionadas à instituição. No encontro, o presidente teria afirmado que Toffoli poderia “reescrever sua biografia” a partir das investigações sobre o banco. As informações são do jornal O Globo.
Apesar das críticas feitas em privado, aliados avaliam que Lula não pretende transformar o descontentamento em ação institucional, mantendo a relação com o STF dentro dos limites formais, ainda que o episódio revele fissuras e desconfortos nos bastidores do poder. Ainda assim, interlocutores que defendem a distensão passaram a discutir uma possível “saída honrosa” para Toffoli: o envio do processo do caso Master à primeira instância, o que poderia arrefecer, ao menos temporariamente, a onda de questionamentos.
O mal-estar se intensifica em meio ao avanço do inquérito do caso Master, conduzido pela Polícia Federal, no qual oito investigados devem prestar depoimento nesta semana. A apuração tem ampliado a tensão política e jurídica em Brasília, com repercussões no entorno do governo e do Judiciário.
