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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que pode impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso a França recuse seu convite para integrar o chamado “Conselho da Paz” — uma iniciativa internacional que visa contribuir para a reconstrução de Gaza e a mediação de conflitos globais. A declaração foi feita em respostas a jornalistas, depois que o presidente francês, Emmanuel Macron, sinalizou que não pretende aceitar a participação no conselho proposto pelos EUA.

Trump disse que a imposição de tarifas sobre produtos franceses seria uma forma de pressionar Paris a reconsiderar a decisão, afirmando que “vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não é obrigado a aderir”.

A iniciativa americana, chamada pelos Estados Unidos de “Board of Peace”, teria enviado convites a líderes de cerca de 60 países, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apenas seis confirmaram até agora.

Ainda não está claro qual será a posição do Brasil, mas a questão ganhou relevo diante da retórica de Trump, que sugeriu que o governo norte-americano poderia estudar a aplicabilidade de medidas semelhantes de retaliação comercial caso outras lideranças também declinem do convite — embora não tenha sido anunciado um plano formal específico para o Brasil até o momento.

A proposta do “Board of Peace” tem provocado debates diplomáticos sobre sua natureza, financiamento e impacto sobre estruturas multilaterais existentes, como o papel do Conselho de Segurança da ONU e outros mecanismos tradicionais de paz.

A decisão
O presidente Lula delegou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a análise da proposta, que inclui questões como: qual é o objetivo e como funcionaria o conselho; existe risco de que o grupo se sobreponha ao Conselho de Segurança da ONU; quais países poderiam aderir; qual é a percepção de parceiros do Brasil sobre essa iniciativa; qual seria o custo e qual a estrutura de governança do conselho.

Entre as interrogações centrais levantadas por diplomatas e analistas, está a ausência de convite a representantes da Palestina, apesar de o fórum ser apresentado como um instrumento para discutir a paz na Faixa de Gaza. 

A potencial participação do Brasil no conselho também é debatida como possível contraponto diplomático, dada a tradição do país de atuação em fóruns multilaterais e seu histórico na defesa de soluções negociadas.

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