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Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia finalmente saiu do papel. O atraso foi longo, mas o timing é preciso. Em um mundo marcado por disputas geopolíticas, protecionismo seletivo e rearranjos nas cadeias globais, o Brasil opta por não ficar à margem.

O tratado amplia de forma expressiva o alcance comercial do país. Hoje, os acordos preferenciais do Brasil cobrem apenas uma fração do comércio mundial. Com a entrada em vigor do pacto, esse percentual mais que quadruplica. Não é um detalhe técnico: é uma mudança de posição no tabuleiro global.

O desenho do acordo é claramente assimétrico a favor do Brasil no curto e médio prazos. A União Europeia abre rapidamente seu mercado às exportações brasileiras, enquanto o país garante até 15 anos para reduzir tarifas sobre produtos europeus. Esse intervalo não é proteção vazia — é tempo. Tempo para investir, modernizar, ganhar escala e competir.

Há também um ganho estratégico menos visível, mas igualmente relevante: previsibilidade. Regras claras, disciplinas modernas e maior segurança regulatória tendem a destravar investimentos, sobretudo em setores industriais e em tecnologias ligadas à transição energética. Não por acaso, a União Europeia já é o maior investidor estrangeiro no Brasil.

O acordo, porém, não é um atalho para o desenvolvimento. Ele cria oportunidades, não resultados automáticos. Sem uma agenda doméstica consistente — infraestrutura, produtividade, inovação e ambiente de negócios —, o acesso ampliado aos mercados pode ser subaproveitado.

O Mercosul–UE é, acima de tudo, uma escolha política e econômica. O Brasil decidiu se integrar, competir e jogar em escala global. O sucesso dessa decisão dependerá menos do texto do acordo e mais do que o país fará a partir dele.

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