Em um momento em que o país amplia o debate sobre a violência contra mulheres e a necessidade de rever homenagens públicas, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou na Comissão de Constituição e Justiça um projeto que propõe mudar o nome da Rua Peixoto Gomide, no centro da capital, para Rua Sophia Gomide.
A proposta busca reconhecer a memória de Sophia Gomide, morta em 1906 pelo próprio pai, o então senador Peixoto Gomide, que se opunha ao casamento da filha.Apesar da repercussão do crime na época, anos depois a cidade acabou homenageando o político ao dar seu nome a uma das ruas mais conhecidas da capital. O projeto agora em tramitação busca inverter essa lógica histórica, transferindo o reconhecimento público para a vítima.
A iniciativa integra um movimento mais amplo de revisão de homenagens públicas ligadas a episódios de violência de gênero. Em diferentes cidades brasileiras, cresce a discussão sobre memória, justiça simbólica e a necessidade de reconhecer histórias que por décadas foram silenciadas.
Se aprovado em plenário, o projeto seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes. A proposta reforça um debate contemporâneo: mais do que mudar nomes de ruas, trata-se de repensar quais histórias a sociedade escolhe lembrar — e quais precisa finalmente reconhecer.
