Engorda sob as lentes do TCU
A engorda de Ponta Negra volta ao centro das atenções dos potiguares. O Tribunal de Contas da União decidiu esmiuçar o processo e encontrou indícios suficientes para transformar uma intervenção necessária em um caso sob investigação.
O relatório preliminar aponta suspeitas de direcionamento na licitação, a partir da exigência de uma draga com capacidade superior à necessária, detalhe que, na prática, restringiria a concorrência. Some-se a isso a fragilidade dos estudos técnicos, ambientais e econômicos, além de questionamentos sobre o licenciamento e até registros de obstrução à atuação do Idema.
Na execução, os problemas não ficaram apenas no papel. Parte do aterro cedeu pouco tempo após a conclusão, com perdas significativas na faixa de areia, exatamente onde a obra deveria garantir estabilidade. A suspeita de uso de material de jazida não autorizada e aditivos contratuais questionados ampliam ainda mais o quadro.
Há ainda um ponto que chama atenção: falhas na transparência, com ausência de relatórios de monitoramento que deveriam acompanhar a obra, inclusive no pós-intervenção.
No conjunto, o que se desenha é um roteiro conhecido. Obra necessária, execução questionada e controle que chega depois. A diferença, desta vez, é o volume de inconsistências reunidas no mesmo processo.
No fim, a engorda que prometia ampliar a praia pode ter ampliado, mesmo, foi o tamanho do problema.
Porque quando a dúvida cresce mais que a obra, o problema deixa de ser técnico e passa a ser político.

