Home

Segurança Transformada

Acolhimento, cuidado e acesso mais humanizado aos serviços de saúde para mulheres vítimas de violência sexual. Esse é o propósito da plataforma Viva Ela, desenvolvida no Rio Grande do Norte pela psicóloga Débora Bianco como parte de sua pesquisa de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB) da Universidade Potiguar (UnP), integrante do Ecossistema Ânima.

A iniciativa nasceu da preocupação com o sofrimento enfrentado por mulheres que, além da violência, muitas vezes precisam lidar com medo, vergonha e com a repetição constante do relato traumático em diferentes serviços de atendimento.

“Pensamos em uma tecnologia que pudesse aproximar as mulheres do acolhimento sem exposição inicial, oferecendo mais segurança e conforto emocional nesse primeiro contato”, explica a pesquisadora.

A plataforma foi criada para funcionar como uma porta de entrada mais sensível e acessível ao suporte especializado. Por meio do site Viva Ela, as usuárias encontram informações sobre violência sexual, orientações, canais de apoio e, futuramente, poderão solicitar atendimento remoto e multidisciplinar.

A proposta é justamente reduzir a revitimização — quando a mulher revive o trauma ao precisar repetir várias vezes a experiência de violência. Com o novo modelo, o relato inicial poderá ser realizado apenas uma vez, permitindo um acompanhamento integrado por profissionais da Medicina, Psicologia, Serviço Social e Enfermagem.

Além do suporte emocional, a ferramenta busca ampliar o acesso ao cuidado em regiões periféricas e em contextos de maior vulnerabilidade social, onde muitas vítimas ainda encontram barreiras para buscar ajuda.

Dados do Instituto DataSenado revelam que cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência de gênero em 2025, e grande parte delas não procurou ajuda formal. Para Débora Bianco, isso reforça a necessidade de iniciativas que priorizem o acolhimento e o bem-estar da mulher.

“Hoje já existem mecanismos de denúncia e punição, mas ainda precisamos fortalecer ações voltadas ao cuidado, à prevenção e à saúde integral dessas mulheres”, destaca.

O orientador da pesquisa, o ginecologista Ricardo Cobucci, ressalta que a universidade tem papel fundamental na criação de soluções que coloquem as pessoas no centro da assistência.

“Mais do que desenvolver tecnologia, estamos promovendo dignidade, escuta qualificada e acesso mais humanizado aos serviços de saúde e proteção social”, afirma.

Poste um comentário

comente aqui..