Pela primeira vez em muitos anos, um material político do PT no Rio Grande do Norte chamou atenção menos pelo vermelho tradicional e mais por uma ausência estratégica: a governadora Fátima Bezerra ficou fora do “time” estampado no santinho divulgado nas redes sociais do deputado Fernando Mineiro.
No lugar da principal liderança petista do estado, surge uma novidade que poucos imaginavam há algum tempo atrás. O ex-deputado federal Rafael Motta, agora vestido literalmente com a camisa do time lulista e ocupando espaço na montagem como pré-candidato ao Senado.
A arte segue a estética de convocação de seleção brasileira, escudo, camisa vermelha esportiva e clima de Copa do Mundo eleitoral, tentando vender a ideia de um “time unido”. Mas, na prática, o detalhe que mais salta aos olhos é justamente quem ficou no banco… ou nem foi relacionada para a partida.
A ausência de Fátima abre espaço para interpretações políticas importantes. Afinal, a governadora continua sendo o maior ativo eleitoral do PT no RN, mas o material sinaliza uma tentativa de renovação visual e estratégica do grupo, apostando em novos rostos e rearranjos para 2026. E nesse movimento, Rafael Motta aparece como a “cara nova” da composição, numa reaproximação política que até pouco tempo parecia improvável.
Também chama atenção a composição quase toda focada em candidaturas proporcionais e majoritárias futuras: Lula para presidente, Cadu para o Governo, Mineiro para federal, Divaneide para estadual e a dupla Samanda Alves e Rafael Motta para o Senado. Um verdadeiro álbum de figurinhas da esquerda potiguar versão pré-campanha.
Tem tese, a leitura é mais do que um simples santinho digital, a imagem funciona como recado político. E em política, às vezes o que não aparece fala ainda mais alto do que quem está sorrindo na foto.

