Em Brasília, a governadora Fátima Bezerra cumpre agenda administrativa — acompanhada da secretária de Planejamento, Virginia Ferreira, o secretário de Tributação, Cadu Xavier, secretario de Recursos Hidricos, Paulo Varella —, mas ninguém em sã consciência acredita que o roteiro se limita a despachos técnicos. Há conversas políticas no cardápio.
Embora reafirme, de pé junto, que deixará o cargo para disputar o Senado, Fátima esbarra numa variável delicada: entregar o comando do Estado. A sucessão indireta passa pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que já definiu as regras do jogo para eleger o governador-tampão.
E nesse tabuleiro, o presidente da Casa, Ezequiel Ferreira, cria das bandas da "Furna da Onça", não distribui ingenuidade nem abre mão do controle. Com habilidade e garras afiadas, mantém o processo sob rédea curta. É dali que pode sair o nome que comandará o RN por oito meses — afinado com o rapaz de Currais Novos e distante das digitais do governo.
Fátima pode pagar para ver ou permanecer sentada na cadeira do Centro Administrativo, evitando entregar o bastão a um enredo que não controle. O dilema é antigo: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.
Nos corredores, analistas atentos ao xadrez do poder apostam que a governadora terá conversas decisivas com a direção nacional do partido em Brasília. Dali pode sair a definição — inclusive com direito ao “dia do Fico”, se for o caso.
Nesse cenário, o nome da deputada federal Natália Bonavides, que resiste ao canto da sereia, volta ao radar como possível alternativa para a disputa ao Senado.
O futuro promete tensão, rearranjos e muita emoção até que a chapa governista seja oficialmente anunciada. Nos bastidores, o jogo está quente.
