Mas a mensagem não nasce em terreno neutro.
Ela vem no dia seguinte a uma derrota pesada no Senado. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, a primeira em mais de um século, somaram 34 votos favoráveis e 42 contrários, abaixo dos 41 necessários para aprovação.
O episódio expôs, sem disfarces, a correlação de forças em Brasília.
Sob o comando de Davi Alcolumbre e Hugo Motta, o Congresso mostrou que pode impor derrotas ao Planalto justamente quando o governo tenta avançar em pautas de apelo popular.
A principal delas, devendida nesse 1º de maio em todo país, o chamado fim da escala 6×1.
O projeto enviado em abril propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e impedir cortes salariais. Uma agenda com forte aderência social, mas que depende de um Congresso que acaba de demonstrar "interesses outros".
E o teste imediato já está posto.
O Congresso analisou o veto de Lula ao PL da dosimetria (PL 2162/2023), que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e por tentativa de golpe. A derrubada do veto, somou com 257 votos na Câmara e 41 no Senado, contrários ao que pregava o Palácio do Planalto.
Alias, o presidente Lula tem até este sábado (02/05) para promulgar o PL da Dosimetria. O prazo constitucional de 48 horas começou a contar após o Congresso derrubar seu veto na quinta-feira (30/4).
O tema mobilizou o bolsonarismo e pode ter efeitos sobre condenações emblemáticas, como a de Jair Bolsonaro, que recorre da decisão do STF.
Nesse cenário, a fala presidencial ganha outro peso.
Não é apenas uma mensagem de 1º de Maio.
É uma tentativa de sair do isolamento político e recolocar o trabalhador no centro da disputa.
Lula aposta na agenda do emprego, da renda e da redução da jornada como forma de reconstruir apoio pedidos e, sobretudo, gerar pressão fora de Brasília.
Porque o discurso não vota.
Quem vota são deputados e senadores que, nesta semana, mostraram que não temem o Planalto.
Se quiser virar o jogo, o governo terá de transformar audiência em mobilização.
Sem isso, a escala 6×1 corre o risco de virar promessa parada e a derrota no Senado, apenas o primeiro aviso.
O 1º de Maio, neste ano, é menos celebração e mais teste de força.
Um teste que não será decidido no plenário.
Mas na rua.
✍️ Cidade sem filtro
www.rosaliearruda.com
O tema mobilizou o bolsonarismo e pode ter efeitos sobre condenações emblemáticas, como a de Jair Bolsonaro, que recorre da decisão do STF.
Nesse cenário, a fala presidencial ganha outro peso.
Não é apenas uma mensagem de 1º de Maio.
É uma tentativa de sair do isolamento político e recolocar o trabalhador no centro da disputa.
Lula aposta na agenda do emprego, da renda e da redução da jornada como forma de reconstruir apoio pedidos e, sobretudo, gerar pressão fora de Brasília.
Porque o discurso não vota.
Quem vota são deputados e senadores que, nesta semana, mostraram que não temem o Planalto.
Se quiser virar o jogo, o governo terá de transformar audiência em mobilização.
Sem isso, a escala 6×1 corre o risco de virar promessa parada e a derrota no Senado, apenas o primeiro aviso.
O 1º de Maio, neste ano, é menos celebração e mais teste de força.
Um teste que não será decidido no plenário.
Mas na rua.
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